O subsolo de Chapecó muda radicalmente em poucos quilômetros: enquanto na região central, próxima à Avenida Getúlio Vargas, encontramos o basalto da Formação Serra Geral a poucos metros de profundidade, os terrenos que avançam em direção ao bairro Efapi exibem espessos mantos de solo residual silto-argiloso que exigem uma abordagem de contenção completamente distinta. Quem executa escavações na cidade precisa entender essa transição, e é aí que o monitoramento geotécnico de escavações se torna indispensável. Não basta projetar a contenção; é necessário verificar, com instrumentação precisa, se o comportamento real da massa de solo corresponde às premissas de cálculo. Em Chapecó, onde o horizonte de rocha sã pode variar entre 3 e 15 metros de profundidade em um mesmo lote, a leitura de inclinômetros e piezômetros que realizamos semanalmente evita surpresas que custariam a estabilidade da obra. Para terrenos com perfil mais heterogêneo, complementamos a análise com o ensaio de CPT sempre que a sondagem à percussão não entrega resolução suficiente nas camadas de transição.
Um deslocamento de 3 mm na crista de um talude em Chapecó, durante uma frente fria de julho, pode ser o único aviso antes da ruptura.
